Origem da expressão II – Tirar água (leite) de pedra

TOXlLOS Podes fazer com que eu me torne teu mais fiel amigo. 
SAGARISTO Como? 
TOXlLOS Emprestando-me sessenta moedas de prata para que eu possa comprar-lhe a liberdade. Logo te pagarei, dentro de três dias, ou quatro. Sê um bom amigo e ajuda-me. 
SAGARISTO Que pretensão, ousares pedir-me todo esse dinheiro! Ainda que vendesse a mim mesmo, dificilmente conseguiria o bastante para cobrir essa quantia. Estás tentando tirar água de uma pedra-pomes, que é a própria secura. 
Plauto, O Persa, Primeiro Ato,cena 1
O escravo Toxilos está numa situação bastante comum: apaixonado e sem dinheiro. Mas seu problema é bem mais sério que não poder levar a namorada a um restaurante grã-fino. O fato é que, se ele quiser realmente ficar com ela, vai ter que comprá-Ia do seu atual dono, pois ela também é uma escrava. Bem-vindo à Roma do século II antes de Cristo! Toxilus tenta convencer seu colega escravo, Sagaristo, a financiar a transação, mas este protesta, alegando que nem vendendo a si mesmo poderia conseguir o dinheiro que Toxilus precisa. Como diz Sagaristo, Toxilos está querendo tirar “água de uma pedra-pomes”, uma espécie de pedra granítica que se destaca pela secura.
A piada de Sagaristo tornou-se famosa para indicar tentativas vãs. Mas nas citações inglesas, a partir de 1580, aproximadamente, outras pedras (o sílex, por exemplo) foram sendo colocadas no lugar da pedra-pomes, um produto de origem vulcânica pouco encontrado na zona campestre inglesa. Charles Dickens tanto exagerou a metáfora, que sua versão se tornou mais familiar que o original: “Assim como não se pode tirar sangue de uma pedra, não se pode esperar receber nenhum pagamento de Mr. Micawber” (David Copperfield , 1850).
Comentário:
No Brasil, ainda se tem a hipérbole (exagero) dessa expressão, tirar leite das pedras. Imagine! Se tirar água já não é fácil, pense em tirar leite.

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